DANÇA E PSICOLOGIA // CONVERSAS TEMÁTICAS INTERARTES E INTERDISCIPLINAS
A 28 de novembro, às 16h00, no Espaço Agra, no Porto, as Conversas Temáticas Interartes e Interdisciplinas da NuIsIs ZoBoP encerram o ciclo de 2026 com um encontro entre dança e psicologia em torno de «Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil», a criação deste ano. O ciclo pertence ao projeto de investigação «Dança e Filosofia: Ética, Raízes e Horizontes do Presente Frágil», em que a estrutura estuda a dança como lugar filosófico, ético e político.
«Como dançar sobre ruínas, exumar arqueologias estupradas, em comunhão exalando e destilando melancolias e nostalgias?» Freud imagina uma Roma em que nenhuma fase da cidade tivesse desaparecido, todas em simultâneo, em que, por regra, nada do que se formou perece. A ruína psíquica habita-se de dois modos. No luto, o mundo torna-se pobre e vazio. Na melancolia, a sombra do objeto cai sobre o eu. O melancólico sabe quem perdeu e ignora o que a perda revela. A Taciturna dança sobre essa ignorância, num palimpsesto que continua a sangrar.
No jogo que Freud observa no neto de ano e meio, um carrinho de linhas preso a um fio desaparece e regressa. A ausência da mãe, que a criança suporta sem chorar, converte-se num movimento que se executa e se recomeça. Entre a mão e o carrinho abre-se o espaço potencial de Winnicott, a zona intermédia que não pertence ao dentro nem ao fora e onde nascem o lúdico e a experiência do real. O corpo que a Taciturna conduz de limiar em limiar habita essa indecisão, «um eidos evanescente entre o devir e a imutabilidade».
Freud avança do carrinho de linhas para a compulsão de repetição, que reconduz o sujeito ao que lhe causou desprazer. Daí para a pulsão de morte, a tendência de todo o vivo para regressar ao estado inanimado de onde veio. Entre a repetição que a clínica escuta e os «momentos irrepetíveis não canceláveis pelo terror» que a sinopse pede à dança, conversam Hugo Calhim Cristóvão, coreógrafo e filósofo, e Joana von Mayer Trindade, coreógrafa e psicóloga, diretores artísticos da NuIsIs ZoBoP, com Carla Corsello, psicóloga, Paulo Azevedo, psicólogo, e Ezequiel Santos, psicoterapeuta e diretor do Forum Dança.
«Como dançar sobre ruínas, exumar arqueologias estupradas, em comunhão exalando e destilando melancolias e nostalgias?» Freud imagina uma Roma em que nenhuma fase da cidade tivesse desaparecido, todas em simultâneo, em que, por regra, nada do que se formou perece. A ruína psíquica habita-se de dois modos. No luto, o mundo torna-se pobre e vazio. Na melancolia, a sombra do objeto cai sobre o eu. O melancólico sabe quem perdeu e ignora o que a perda revela. A Taciturna dança sobre essa ignorância, num palimpsesto que continua a sangrar.
No jogo que Freud observa no neto de ano e meio, um carrinho de linhas preso a um fio desaparece e regressa. A ausência da mãe, que a criança suporta sem chorar, converte-se num movimento que se executa e se recomeça. Entre a mão e o carrinho abre-se o espaço potencial de Winnicott, a zona intermédia que não pertence ao dentro nem ao fora e onde nascem o lúdico e a experiência do real. O corpo que a Taciturna conduz de limiar em limiar habita essa indecisão, «um eidos evanescente entre o devir e a imutabilidade».
Freud avança do carrinho de linhas para a compulsão de repetição, que reconduz o sujeito ao que lhe causou desprazer. Daí para a pulsão de morte, a tendência de todo o vivo para regressar ao estado inanimado de onde veio. Entre a repetição que a clínica escuta e os «momentos irrepetíveis não canceláveis pelo terror» que a sinopse pede à dança, conversam Hugo Calhim Cristóvão, coreógrafo e filósofo, e Joana von Mayer Trindade, coreógrafa e psicóloga, diretores artísticos da NuIsIs ZoBoP, com Carla Corsello, psicóloga, Paulo Azevedo, psicólogo, e Ezequiel Santos, psicoterapeuta e diretor do Forum Dança.