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NINA GARCIA
concerto
RCA
estúdio zero
qua.04.02
22h00
8/10€ door
NINA GARCIA NINA GARCIA NINA GARCIA NINA GARCIA
Nascida em 1990, vive e trabalha em Paris.

Desde 2015, Nina Garcia tem vindo a investigar e a criar em torno da guitarra elétrica, num território a meio caminho entre a música improvisada e o noise. O seu set-up reduz-se ao essencial: uma guitarra, um pedal e um amplificador — ferramentas com as quais esculpe o som e mergulha no caos para fazer emergir o inaudito. Os seus concertos envolvem o público num espaço sonoro imersivo, onde poder e fragilidade se cruzam com uma intensidade contagiante. Em poucos anos, atraiu a atenção de inúmeros palcos internacionais.

O seu trabalho a solo centra-se no gesto e na pesquisa do instrumento — as suas ressonâncias, limites, extensões, impurezas, cantos audíveis: trabalhar com ele ou contra ele, contê-lo ou deixá-lo soar, sustentá-lo ou atacá-lo. Um duo mais do que um solo, surpreende pela mistura de domínio técnico e liberdade total. Uma convergência de selvajaria e ternura com o instrumento; um tenso corps-à-corps entre duas entidades vibrantes, dando origem a uma música e coreografia de poesia bruta.

Nina Garcia toca também com Arnaud Rivière em Autoreverse; em duo com a trombonista dinamarquesa Maria Bertel; com a percussionista Camille Émaille; e na banda de rock mamiedaragon.

Desde 2019, integra o ensemble de improvisação Le Un. Colaborou ainda com Sophie Agnel, Méryll Ampe, Stephen O’Malley, Leïla Bordreuil, Antoine Chessex, Fred Frith, entre outros. Em 2019, foi selecionada para o programa SHAPE. Em 2020/2021, esteve em residência no GRM para uma encomenda do festival Présences Électroniques. Em 2023, criou De haut en bas, de bas en haut et latéralement, uma peça para corpo, som e escultura com Anna Gaïotti, Jennifer Caubet, Romain Simon, Christophe Cardoen e Étienne Foyer.

Nina Garcia dedica-se também ao ensino da música experimental, orientando oficinas para estudantes de arte e para crianças. Desde 2023, tem desenvolvido concertos para crianças e famílias, apresentando música adaptada mas não diluída — desmontando gestos, deixando o público experimentar a guitarra e os seus objetos, explicando a sua abordagem e dessacralizando a música experimental.


Bye Bye Bird

Após o seu trabalho homónimo de 2018, Mariachi, editado pelos selos franceses Doubtfull Sounds e No Lagos Musique, Nina Garcia prepara agora o seu segundo álbum, que será lançado a 21 de fevereiro de 2025 pelo excelente selo de Stephen O’Malley, Ideologic Organ, distribuído pela Shelter Press.

A artista escolheu explorar o lado mais íntimo da criação, dando espaço à intimidade e à emoção. O seu princípio orientador é o estudo do micro-gesto, através de um novo dispositivo de amplificação manual — uma técnica nunca antes publicada.

Muito distante das suas atuações ao vivo, Bye Bye Bird apresenta uma música que emerge das profundezas de uma fenda. Peças tocadas na palma da mão, feitas de aparições e desaparecimentos, tentativas de acalmar, fluxos sonoros como ressacas inevitáveis, onde a guitarrista evoca ecos de leveza, três passos de dança e silêncios aceitáveis.

Bye Bye Bird partilha com o público emoções indescritíveis, celebrando a leveza insolente da vida, ao mesmo tempo que observa o seu desaparecimento. Este álbum é um registo de guitarra elétrica sozinha, sem efeitos, onde — além do seu vocabulário habitual (feedback, saturação, batidas, ruído, dissonância) — Nina Garcia explora melodias enterradas. A artista aprofunda o aspeto mais recente da sua pesquisa, um estilo que designa “ultra territorial”: com a guitarra elétrica desligada e um mini sensor eletromagnético na mão, toca e capta sons numa zona extremamente restrita. Este sistema permite-lhe desenvolver uma nova relação com o gesto: proximidade, detalhe, tremor, desaparecimento e vibração. Um verdadeiro equilíbrio com os sons que tenta constantemente apanhar, deixando-os, ao mesmo tempo, escaparem. Ao longo destes oito temas, Nina Garcia oferece um álbum variado, surpreendente e rico, que por vezes nos guia pela mão e por vezes nos impulsiona para a frente.

O título do álbum é uma referência à canção Bye Bye Bird, do harmonicista americano Sonny Boy Williamson II, escrita em tributo a Charlie Parker em 1963. Embora a música seja completamente diferente, mantém-se uma ressonância com este Bye Bye Bird de outro século: um sentimento provavelmente intemporal — a abordagem frágil, sem rede, de um instrumento sozinho perante o silêncio.


“Nina Garcia tem vindo a levar a arte da guitarra noise a espaços surpreendentes e intrigantes. Tem feito isto há algum tempo, uma espécie de arma secreta, escondida à vista de todos.

Ao ouvir a sua música e refletir sobre a sua performance, chego a uma percepção que tenho com muito poucos músicos: o ego inerente à criação artística pode ser transcendendido através de uma pureza de ação direta. Pelo menos, é essa a sensação que tenho ao experienciar a música de Nina, que se apresenta como séria, radical e totalmente entregue ao momento do seu impulso criativo.

Com Bye Bye Bird, ela oferece a sua mais exaltada e sublime coleção de gravações, para que todos os corações aventureiros possam ouvir. Um álbum fantástico.”


— Thurston Moore, Londres, 2024
hoje
concerto
CALCUTÁ + MARIA AMARO
amanhã
dj set
FLETCH
sex.06.02
concerto
DONARANHA + DIAGONAL